Doriana Viana

A nossa história começa no babywearing vai fazer 6 anos… Quando nasceu o meu primeiro filho – o Brian, eu não sabia nada sobre a maternidade. Como tive, infelizmente, violência obstétrica no nascimento dele, decidi que tudo o resto ia ser diferente.

Decidi que queria amamentar e o nosso percurso não foi fácil, até porque o Brian era um bebé muito exigente. Hoje sei que ele era apenas um bebé normal… Então ficava um bocado prisioneira do sofá e da almofada de amamentação… Mas sempre pensei que aquilo não era vida para mim, porque eu também queria passear com ele e sair de casa. Mas quando saía e levava o carrinho, passado um bocado ele chorava até mais não e eu acabava a empurrar o carrinho com ele no colo ou sentava para lhe dar mama.

Isto não era nada fácil, mas um dia tive um click. Um dia ia a caminho do Hospital Egas Moniz para uma consulta, na altura não tinha carro e usava os transportes públicos (que não são nada amigos de carrinhos de bebé e vocês sabem bem porquê). Saio do comboio em Belém, vou apanhar o elétrico e quando este está a chegar (era um dos mais antigos), faço sinal ao condutor, que por sinal era uma condutora (o que me deixou ainda mais triste), nem me deu hipótese de fechar o carrinho para entrar e diz muito arrogantemente: “Você aqui com carrinho não entra!”. Nem tive reacção e ela arrancou. E eu estive com um bebé de dois meses ali mais 20 minutos à espera do próximo por sorte autocarro. Neste dia disse para mim mesma: “BASTA!”.

Na altura, falei com a minha mãe sobre a tristeza que ia na minha alma e ela disse-me que, em tempos, tinha usado comigo, um marsúpio da Chicco e que lhe tinha dado muito jeito. Nesse mesmo dia foi à procura e me enviou. Usei-o com o Brian, um marsúpio com 24 anos, e sim deu-me muito jeito. A partir desse dia nunca mais usei carrinho, mas o conforto aquele marsúpio não era nada de especial. Fui, então, à procura um daqueles todos XPTO e gastei 60 euros por um todo almofadado. Confesso que me deu jeito por mais uns tempos e fez sucesso no curso pós-parto. Mas eu continuava insatisfeita pois as minhas costas doíam e não sentia o Brian nada confortável, pois ele era um chumbinho.

Antes ainda dele fazer seis meses entro em grupos de amamentação e aí sim, percebo que não sou uma Alien, e junto com todas essas mães descubro que elas falam muito sobre babywearing, ergonomia, mãos livres, bebés que dormem e não choram… E eu percebo, isto sim é o que procurava!

Começo a pesquisar mais e mais e me lembro de comprar um pano elástico da Dona Cotovia e dois slings de argolas à Elisabete Rôla… Foi fantástico! Finalmente pude ser a mãe que sempre sonhei para o meu bebé! Com o tempo percebemos que para o pai do Brian seria muito mais prática uma mochila, e então decidimos investir numa Ergobaby e foi assim até ao nosso percurso terminar…

Aos dois anos e meio descobrimos que o Brian tinha um cancro, um dos mais raros e agressivos nas crianças, e com muito poucas chances de cura… O Brian que já gostava de usar as suas pernas, tinha vários momentos que em o colo era o seu porto de abrigo, fisicamente deixou, muitas vezes, de se aguentar… E aí, o babywearing assume mais do que nunca um papel fulcral na nossa vida… mais do que todas as coisas do dia a dia que eu passei, do que nós passamos diariamente… Imaginem o que é passar os dias no IPO entre edifícios, entre exames e análises, tratamentos, horas e dias a fio. O Brian cansado de tudo isto e com efeitos secundários, sim o Brian teve muitas temporadas boas como nunca vi naqueles meninos, mas também chegou ao fundo do poço… E eu também, as minhas costas, braços, o cansaço… Se não fosse aquela mochila, não sei…

Um dia de presente a Kaité, da marca Psicolor, que é nossa amiga oferece por ideia da nossa Tânia Costa, um mini sling de argolas ao Brian… Sabem o que ele fez a partir desse dia? Carregou a brincar, quase todos os dias, o seu Tomate de peluche… “Filho de carregadeiros, carregadeiro serás…”. Ias ser um pai fantástico, filho…

O Brian foi carregado até ao seu último dia de vida… O Brian partiu a 30/06/2016 com apenas três anos de vida…

Um certo dia descobrimos que o Brian ia ter um mano arco-íris… Vinha aí o Eric… E eu sabia que ia carregar e carregar muito… Mas desta vez ia ser ainda mais difícil… Porquê perguntam vocês? Porque eu queria fazer tudo com o Eric que não tentei nem sabia com o Brian e sabia que ia ser um desafio… Soube-o desde o dia em que a Alice Pinho me mandou uma foto de um pano azul da Didymos com uma mulher a amamentar o seu bebé como estampado… Essa foi a nossa primeira compra para o Eric…

Quando o Eric nasceu, levei para a maternidade, um sling azul Psicolor igual ao do Brian mas tamanho dos crescidos, onde não dispensei a utilização. Também comprámos um pano semi-elástico da 1bigo e depois de muitos treinos eu e o pai do Eric já estávamos prós naquilo. Começámos a nossa aventura no Didymos e correu bem… O Eric foi crescendo, não chorava, dormia bem, mamava no pano… Enfim nunca tinha sido tão feliz. Só pensei porque não conhecia tudo isto do mano Brian…

Até que um dia, depois de ver tantas e tantas publicações decido me aventurar noutros portes principalmente às costas… Não corre bem! Parabéns à cama que eu tenho atrás de mim, que amparou o Eric que caiu lá em cima agarrado pela minha mão. Desabafo com a Alice e aceito um Workshop dela, saímos de lá prós a colocar o Eric nas costas, e nesse dia adquirimos um Mei Tai da Fidella à nossa Lili Lima…

A partir daí nunca mais ninguém nos parou, começámos a nos candidatar a panos viajantes para testar novas marcas e confortos e só tenho a agradecer a todas as meninas e mamãs que nos disponibilizaram os mesmos, nomeadamente à Inês, Eliana, Débora, Alice, Lili, Elisabete Rôla, Elisabete Muga, Inês Silva, Sara, Ana Rodrigues e por favor se me estiver a esquecer de alguém perdoem-me mas memória de mãe sabem como é…

Acabámos por comprar um paninho e um sling para ir à água à Tais, um arco-irís da Little Frog, outro arco-íris à Anita, outra Ergobaby e uma quantidade infinita de Bô!s… Gánhamos em dips da Elisabete Rôla, um onbuhimo e uma capa de babywearing e ainda lhe comprámos um sling viajante… Comprámos um Sensimo à Tânia, porque hoje em dia temos um chumbo que me mata os ombros… E a nossa recente aquisição foi uma Isara The One… E este é o nosso stash (acho que não me esqueci de nada…), atenção que isto não foi para fazer publicidade, foi só para vos dizer que nunca usámos carrinho com o Eric e que quer eu quer o pai ficamos ainda mais viciados no babywearing e já fazemos muitos portes diferentes. Não somos prós mas estamos quase lá… 

Temos ainda a parte fantástica da avó do Eric ser Angolana e carregar, desde cedo, o Eric às costas nas suas capulanas… Que vida maravilhosa a do Eric, certo?

Menos maravilhosa é a minha porque fiquei complemente viciada, tipo queria carregá-lo para sempre… Mas o gajo já tem 14 meses, anda desde os 10 e tem a mania que já é toddler… Enfim descobriu que tem pernas… Conclusão, às vezes vai sendo obrigado a ser carregado para nos podermos movimentar, faz fita, mas depois de lá estar fica fixe… Mas só ao fim de semana e pouco tempo…

Espero que os nossos dias de babywearing não tenham terminado… Dizem as entendidas que isto lá para os 2 anos volta e volta em força, o desejo de ser carregado…

A convite da Marta e da Inês não podia deixar de partilhar a nossa história, não por ser especial, mas por ser a nossa… Andei tempo e tempo a tentar escrever e tinha de a acabar agora, por ser um mês especial, porque dia 15 de Março, o Brian faria 6 anos de vida… Porque tinha de ser agora… Obrigada de coração meninas…

Muitos panos já foram e vieram… Mas acho que o pano dos panos vai ser o último que cá chegou a casa… Só porque a Elisabete Muga realizou o meu desejo e deu o nome Brian a uma das suas últimas criações, por sinal é o azul do Brian… Graças a ela e ao Babywearing carrego os meus dois filhos juntos… O Eric abraçado para sempre pelo Brian…

Obrigada a vocês todas que fazem parte deste mundo… do nosso mundo…

Doriana Vian